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Artigo sobre Hardware
Publicado em 11/5/2010

A questão do consumo de energia dos computadores e monitores


Já se vai longe o tempo em que a conta de luz não incomodava. Hoje em dia os valores são consideráveis, até por causa de tantos impostos, taxas e contribuições pagos sobre o preço da energia elétrica. E as contas ficam ainda maiores devido à quantidade de aparelhos elétricos e eletrônicos que temos em nossas casas e empresas. Os computadores e respectivos monitores acabam representando parte considerável do gasto, até porque acabou virando costume deixar o computador ligado o dia inteiro ou até mesmo não desligá-lo nunca.

Parece que temos “tudo” o que é importante dentro de nossos computadores e que a qualquer momento podemos precisar consultar nosso acervo, ver se chegou alguma mensagem importante ou, simplesmente, para nos manter informados sobre os acontecimentos.

O fato é que os computadores ficam ligados cada vez mais tempo a cada dia, e isto pode ter uma influência considerável na conta de luz. Por isso é oportuno rever algumas dúvidas comuns e aproveitar para baixar sua conta de luz ao mínimo possível — pelo menos no tocante à informática.


Já falamos sobre o consumo de energia em vários artigos na Revistas PnP, em especial na edição 7 (artigo “Fontes de alimentação - onde tudo começa, e pode acabar”) e na edição 8 (artigo “Medindo o consumo de energia elétrica dos PCs”.

Em especial no artigo da Revista PnP nº 8, vimos que o valor da energia elétrica consumida por um único PC é considerável, algo como R$ 20 a R$ 40 por mês por aparelho dependendo do valor das tarifas na localidade, da configuração do computador e de como ele é usado. Analisemos alguns tópicos importantes para entender de onde vem este consumo e como diminui-lo:

Fontes de alimentação mais caras consomem menos energia?

Muita gente não liga a mínima para elas, mas as fontes de alimentação são parte fundamental do bom funcionamento dos microcomputadores, e influenciam diretamente no consumo do micro conforme explicamos no referido artigo da Revista PnP nº 7. Fontes baratinhas são obviamente feitas com o intuito de serem o mais econômicas para o fabricantes, o que significa maior consumo de energia para seu comprador e uma menor durabilidade.

Acontece que os projetistas destas fontes mais simples e baratas fazem com que os componentes fiquem trabalhando o tempo todo próximo ao seu limite. Em especial, isto significa que semicondutores como transistores e circuitos integrados vão esquentar muito mais, precisando de dissipadores de calor e ventoinhas mais eficientes. Como todos estes elementos custam caro, proporcionalmente aos outros componentes, são também dimensionados no limite. Para compensar esta economia toda, que leva a um aquecimento maior, coloca-se uma ventoinha mais rápida (e barulhenta) para que os componentes não “torrem”.

Outro fator importante na eficiência das fontes são os transformadores, usados para interligar a parte primária da secundária das fontes de alimentação chaveadas usadas nos micros e monitores. Transformadores são itens pesados e caros, pois além de usar ferro e cobre (dois metais nobres para os chineses, onde são feitas a maior parte das fontes) precisam de uma fabricação cuidadosa. Ocorre que transformadores mal dimensionados e/ou construídos acabam desperdiçando a maior parte da energia que recebem, na forma de calor e vibrações mecânicas.

Colocando-se tudo isto junto, a conclusão é fontes de alimentação de segunda linha que, infelizmente, são a grande maioria em nossos computadores, acabam aumentando o consumo de energia em algo como 70%. Explicamos: uma fonte de boa qualidade consegue converter em energia aproveitável pelo computador até 85%, enquanto que as fontes de qualidade duvidosa não passam de 50%. Assim, um computador que precise de 200 Watt para seu funcionamento interno vai consumir na verdade 235 Watt com uma fonte boa (200/0,85) mas vai precisar de 400 Watt (200/0,5) com uma fonte “comum”. Temos, portanto, uma diferença de 400 - 235 = 165 Watt a mais, ou seja, 70% em cima dos 235 Watt que seriam suficientes para aquele computador se tivesse uma fonte de boa qualidade.

Trocando em miúdos, isto significa que os R$ 200 a 400 que se paga em uma fonte de alimentação de qualidade seriam amortizados em poucos meses só com a conta de energia elétrica, conforme explicamos no referido artigo da Revista PnP nº 7

Deixar o monitor em stand by consome quase tanta energia quanto um monitor ligado?

Os monitores também não ficam para trás em matéria de consumo de energia. Os monitores convencionais (de tubo) são consumidores de energia consideráveis, gastando algo entre 50 a 150W. Os monitores LCD são bem mais econômicos, ficando entre 30 a 50W quando em plena operação. Só por isto já compensaria trocar um monitor convencional por um LCD, mas ainda há mais a ser levado em conta.

Aparelhos eletrônicos consomem energia mesmo não estando em uso, o simples fato de estarem conectados na tomada já significa que existe corrente elétrica passando pelo circuito do equipamento. Por isso, o termo correto para designar o estado em que se encontram aparelhos aparentemente desligados é “stand by”, isto é, estão “em estado de espera”.

O stand by (fala-se “istândi-bái) é usado para denominar o estado em que o aparelho eletrônico está supostamente desligado, significando que não está exatamente ligado, mas sim pronto para voltar à ativa rapidamente quando a acionado. Os próprios computadores consomem energia mesmo quando aparentemente estão desligados, só pelo fato de estarem ligados à tomada. Aliás, os micros podem também ficar em stand by, recurso chamado de “em espera” no Windows. Neste estado é cortada a energia dos discos rígidos, do monitor e dos dispositivos periféricos. O que continua funcionando é a memória, para que todos os trabalhos abertos sejam preservados. Em alguns a ventoinha da fonte de alimentação também continua funcionando.

Quando somente o monitor está em stand by, o computador continua funcionando normalmente porque as atividades não dependem da tela naquele momento. Tanto que, quando ficamos um tempo sem mexer no computador, o monitor automaticamente entra em modo de espera, de acordo com o que estiver especificado nas “Opções de energia” no Painel de Controle.

Deixar em stand by consome quase tanta energia quanto um monitor ligado? Não. Enquanto o monitor ligado consome o máximo de energia para o funcionamento, o modo stand by é uma maneira de economizar energia porque gasta apenas o necessário para evitar o desligamento total da tela.

Esse consumo mínimo usado não possui um número exato, mas varia em torno de 2 a 20 Watts. Se o valor não pareceu muito relevante para você, faça um cálculo aproximado do tempo em que seu computador fica ligado por dia e depois veja como há uma diferença significativa em médio prazo. Sendo assim, deixar os aparelhos sempre em stand by pode resultar em um consumo considerável de energia. Para empresas, que possuem vários aparelhos ligados por longos períodos, é uma maneira de redução de gastos.

Contudo, não se esqueça de usar o bom senso: ligar e desligar o monitor toda hora não é saudável para a vida útil do equipamento. Aliás, a este respeito, veja o tópico seguinte:

Desligar ou não o computador?

Você já deve ter se perguntado se o ato de desligar o computador realmente contribui para aumentar a vida útil da máquina. Se pesquisou pela Internet ou perguntou para algum técnico deve ter encontrado diversas respostas contraditórias. Afinal, o que é melhor: desligar o PC ou deixá-lo ligado o tempo todo? Veja abaixo alguns motivos que podem responder à esta pergunta.

Por que desligar? Existem alguns motivos para que você desligue seu computador de noite e só ligue novamente no dia seguinte:
  1. Salvo os HDs feitos especificamente para servidores, o mecanismo dos discos rígidos não foi desenvolvido para trabalhar continuamente.
  2. Os sistemas operacionais, principalmente o Windows, realizam procedimentos críticos durante os atos de ligar e desligar o computador, o que pode levá-lo à falhar.
  3. Computadores consomem energia, assim, desligar a máquina é uma maneira de economizar com a conta de luz.
  4. O superaquecimento de um PC pode fazer com que os componentes queimem ou ocorra um curto-circuito. Se o ambiente em que o computador se encontra for quente ou mal ventilado é provável que a máquina esquente acima do limite se ficar muito tempo ligada.
Por que deixar ligado?Pode não haver necessidade de desligar o PC. existem vários argumentos para que você deixe seu computador ligado o tempo todo:
  1. O ato de ligar e desligar os PCs pode causar o desgaste acelerado de alguns componentes, principalmente coolers e HDs.
  2. Muitos erros causados pelos sistemas operacionais podem ser evitados se o computador ficasse sempre ligado, pois muitas vezes é no ato de desligar a máquina que alguns arquivos são corrompidos, causando erros antes inexistentes.
Quem está certo? Bem, especialistas de grandes empresas como HP e Seagate dizem que não há grandes problemas em deixar o computador sempre ligado, desde que a pessoa não se importe com o consumo de energia. É fato que deixar o computador ligado diminui um pouco a vida útil do aparelho, mas é mais provável que você aposente seu PC por ele estar ultrapassado do que por estar “gasto” de ter ficado ligado por muito tempo.

Computadores mais rápidos consomem mais energia?

Não necessariamente, é preciso analisar o equipamento. Quanto mais antigo for um computador, mais ultrapassada será sua tecnologia e muito provavelmente gastará mais energia que um modelo novo. Um processador antigo de 1 GHz chega a gastar mais de 130W o tempo todo, enquanto que um processador moderno, de 2 GHz ou mais, chega a gastar apenas 40W e isto quando está a plena carga. Outro componente que gasta mais energia nos PCs é a placa de vídeo. Modelos topo de linha sempre gastaram mais em cada época, em relação aos modelos mais simples. Só que o modelo mais simples de hoje é equivalente ao mais potente que o de 3 ou 4 anos atrás.

Assim, se analisarmos dois computadores de tecnologia recente, o mais rápido certamente vai gastar mais energia que o outro. Entretanto, se compararmos um computador topo de linha atual ele certamente vai gastar menos energia do que um computador que já foi topo de linha há alguns anos. Isto é compreensível, pois no projeto dos computadores uma das metas principais é reduzir o consumo de energia, além de outros fatores como mais capacidade de reciclagem, menores custos de manufatura e, claro, a performance.

Bom, é isto. Esperamos que com estas dicas você se anime a trocar aquele micro velhinho que está lá no canto de sua empresa ou aquele monitor CRT que já conheceu melhores dias. Mesmo comprando a prestação, a diferença na conta de energia pode reaver o valor gasto em um prazo relativamente curto.

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