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Artigo sobre Redes Locais
Publicado em 15/7/2009

Comprar roteador pronto ou fazer você mesmo?


Os roteadores nunca foram tão baratos. Com fio ou sem fio, sempre existe um modelo que cabe no bolso de todo mundo. Mas será que estes modelos populares realmente são bons? Não estaríamos sacrificando a segurança e recursos? Não seria melhor construir nossos próprios roteadores?

Por Iberê M. Campos

Os roteadores fazem parte das redes desde os primórdios do protocolo TCP/IP. Foram eles que possibilitaram o aparecimento da internet e também das modernas redes locais. Estes aparelhos já foram sinônimo de modernidade e só os técnicos de redes sabiam o que eram e para o que serviam, mas hoje em dia, com a proliferação da internet em banda larga, qualquer garoto em idade escolar já sabe que um roteador é necessário para compartilhar a conexão de internet com dois ou mais computadores.

Certo, esta é a função mais comum dos roteadores, mas eles também estão associados a muitas outras funções especializadas como firewall, proteção antivírus, servidor DHCP (para atribuir os endereços IP para as estações), criação de sub-redes, restrição ou permissão de acesso à internet para cada estação e também ao controle do quanto da banda de internet será distribuída a cada estação da rede local, sem falar do bloqueio de sites e ações indesejáveis, serviço muito requisitado atualmente nas empresas, que querem bloquear os sites e serviços que seus funcionários acessam pela internet e que nada tenham a ver com o serviço.

Os puristas poderiam argumentar que todas estas funções não fazem parte necessariamente do roteador, mas acontece que este aparelho fica num ponto estratégico, entre a rede local e o “mundo selvagem” da internet, com milhões de hackers querendo roubas senhas e invadir sistemas. Por esta posição estratégica, os mesmos aparelhos que fazem o roteamento acabam também cuidando da segurança da rede local e do controle do que pode ou não passar de quem e para quem.
(acima)Roteador comercial típico, barato e eficiente. Mas em geral pode ser substituído com vantagens por um roteador “feito em casa” (clique para ampliar).


Tipos de roteadores

Um roteador é, antes de mais nada, um computador. Tem processador, memória e área de armazenagem, igualzinho a um microcomputador qualquer. Com o intuito de baratear o produto e facilitar para o usuário, os fabricantes de equipamentos de rede montam todos os circuitos necessários em algumas poucas pastilhas de silício (“chips”) que contêm o hardware e o software necessário para fazer o roteamento. De quebra, embutem serviços como firewall, servidor DHCP e outros.

Com esta miniaturização toda, os roteador pequenos e baratos até que fazem muito pelo que custam, mas atendem apenas a pequenas instalações domésticas de microempresas. Quem precisa de algo a mais precisa recorrer aos aparelhos melhores e que custam bem mais caro. Enquanto que um roteador doméstico custa, digamos, R$ 150, outro modelo com mais recursos ultrapassa facilmente a casa dos R$ 1.500. É o preço que se paga por ter mais segurança e recursos de configuração.

Mas ocorre que, nesta faixa de preço, torna-se mais vantajoso pegar um micro que esteja encostado e transformá-lo em roteador. Naturalmente, é preciso ter mais conhecimento técnico, mas nada que fuja ao alcance de um estudante ou usuário avançado de informática.

O sistema operacional mais utilizado nos roteadores é o Linux. Claro que se pode também utilizar o Windows Server ou até mesmo o Windows XP ou Vista, mas é um desperdício gastar tanto dinheiro e consumo de recursos do hardware num micro que ficará lá num canto, ligado apenas para conectar a rede local à internet. O Linux é utilizado desde seu início nas funções de roteamento, hoje em dia tanto os grandes servidores de internet, que interligam países e continentes, quanto modestos roteadores domésticos funcionam com variações do Unix ou do Linux, em distribuições Linux especializadas que podem ser usadas gratuitamente e, importante, perfeitamente dentro da lei.

Os roteadores comerciais nada mais fazem do que colocar estas distribuições Linux dentro de um chip, logicamente trocando os logotipos e o jeitão do software, mas no fundo é o Linux que está movendo a esmagadora maioria dos roteadores que você encontra à venda.

E aí é que nos perguntamos: se é para utilizar um software assim, preso dentro de um chip, porque não criar nosso próprio roteador, com uma distribuição escolhida a dedo e configurada nos mínimos detalhes para atender exatamente às nossas necessidades?

Customizar ou não customizar o roteador

Se o que você precisa é apenas compartilhar uma conexão de internet entre alguns poucos micros, igualmente e sem diferenciação alguma entre eles, então não há muito o que pensar: compre um destes roteadores básicos e baratinhos e pronto. De quebra, poderá até escolher um modelo wireless (“wi-fi” ou “sem-fio”) mesmo que ainda não tenha um notebook ou computador com este tipo de conexão. Afinal, a diferença de preço entre um roteador com e sem fio é mínima, coisa de 40 ou 50 reais atualmente.

Entretanto, se você precisa de recursos mais avançados como controle de banda entre as estações, firewall mais potente e restrição de acesso por máquina, por usuário ou por horário, então provavelmente você já deve considerar seriamente a possibilidade de montar seu próprio roteador.

O Windows tem esta função, mas não tem tantos recursos e não é tão fácil de configurar quanto o Linux e, como já dissemos, ninguém deseja ficar ilegal e também não quer gastar os tubos para comprar um Windows oficial para ficar parado lá num canto qualquer de sua casa ou escritório. Assim, a opção óbvia é adotar o Linux para esta função.

Qualquer distribuição Linux moderna, como o Ubuntu, Conectiva, Red Hat e Mandriva, já oferecem a configuração automática do serviço de roteamento. Basta ter um micro com duas placas de rede, sendo que uma delas fica para a conexão de banda larga e a outra liga a rede local. O roteamento feito com Linux é que vai distribuir o sinal de internet para todas as estações da rede local.
(acima)Tela de configuração do FireStarter, prático firewall para Linux que, além de cuidar da segurança da rede contra invasões, também faz a distribuição do sinal de internet para a rede local (clique para ampliar).


Este é um arranjo simples e que funciona muito bem, com a vantagem de que você pode começar a estudar o sistema de roteamento do Linux e aprender a fazer suas próprias configurações, seja editando diretamente os arquivos que armazenam os parâmetros, seja utilizando algum software auxiliar para esta finalidade, como o FWBuilder, Showall, FireHOL, GuardDog e Firestarter. Este último, em especial, é o gerenciador de firewall padrão do popular Ubuntu Linux (vide ao lado).

Quem não deseja aprofundar-se no mundo do Linux pode usar as mini-distribuições especializadas em compartilhamento de internet e firewall. Elas são pequenas, leves e feitas especialmente para esta finalidade. Respondendo a algumas poucas perguntas você terá sua conexão devidamente compartilhada e com aquela segurança típica do Linux. Nada de vírus, worms e spywares atacando o sistema operacional, pois o roteador conterá apenas e tão somente o software necessário.

Roteadores baratos versus BrazilFW

O BrazilFW já foi citado diversas vezes na Revista PnP e, em especial, na Revista PnP nº 5 temos um artigo completo mostrando passo-a-passo como montar um excelente roteador com base no BrazilFW utilizando micros tão antigos quanto os primeiros Pentium. Claro que estes micros são até raros atualmente, quase 20 anos depois de seu lançamento, mas você poderia empregar, digamos, um micro com processador K6-2 ou K6-3, um dos primeiros Athlon ou Duron ou até mesmo algum Intel Celeron ou Pentium 3. O importante é o micro estar funcionando direitinho, com seu hardware em ordem, sem oxidações ou capacitores estourados. É preciso ter um disquete (“floppy disk”) de 1.44 e, se isto for difícil, é possível utilizar um leitor de CDs para substituir o disquete.

Pois bem, tendo o hardware pronto, você vai precisar de um outro micro com Windows e uma conexão à internet. Aí, é só baixar o instalador do BrazilFW no site do projeto, em www.brazilfw.com.br. Este instalador roda em Windows e vai gerar o disquete ou CD de boot, com ou sem previsão de instalação no disco rígido do micro que fará o roteamento. Você responde a meia dúzia de perguntas e pronto, sua mídia de boot estará pronta para uso e seu novo roteador poderá começar a trabalhar.

Estas mini-distribuições Linux como o BrazilFw são bem práticas mas, para aqueles que já conhecem melhor o Linux, o ideal mesmo é instalar uma distribuição completa, como as já citadas Mandriva ou Ubuntu, por exemplo, e configurar mais detalhadamente os serviços de roteamento.

Seja como for, mini-distribuição ou distribuição Linux completa, seja com o próprio Windows, o importante é que o técnico de informática saiba que é possível e desejável livrar-se dos roteadores domésticos baratinhos e, geralmente, de qualidade sofrível que invadiram o mercado e que viraram sinônimo de “compartilhamento de internet”. Em muitos casos é melhor construir um roteador completo e ganhar mais recursos, versatilidade e segurança.

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