Prezado
Os problemas na internet que ocorreram em São Paulo neste mês de julho causaram uma enxurrada de e-mails e perguntas dos leitores, que levantaram diversas questões e análises.
Fazendo um apanhado geral, chegamos à seguinte conclusão:
Brasil precisa remodelar seu sistema de internet em banda larga
O recente apagão da internet em São Paulo, quando milhões de usuários ficaram mais de um dia sem internet, nos leva a crer que é preciso repensar o sistema de acesso a internet em banda larga no Brasil. A legislação mal feita e o pouco número de empresas que oferecem o serviço forçam os consumidores a pagar caro por um serviço lento, pouco confiável e sem alternativas.
No exterior cada vez mais cidades oferecem acesso à internet em banda larga wireless gratuitamente a toda a população. Aqui no Brasil, já existem cidades que também oferecem este serviço, que beneficia a todos. Claro, não é nenhuma maravilha de velocidade, mas atende bem aos serviços de emergência e para quem está só de passagem pela cidade ou, simplesmente, para quem não pode pagar por um serviço melhor.
A legislação que controla o acesso em banda larga no Brasil foi feita há cerca de 15 anos, numa época em que o brasileiros mal conseguiam sequer falar no telefone convencional. Nesta ocasião, uma linha telefônica custava US$ 4.000 e um celular custava US$ 3.000. E que celular! Bem vagabundo, funcionava só de vez em quando, pesava quase meio quilo e para comprar era preciso entrar numa fila enorme ou então aderir ao câmbio negro.
Aí algum legislador muito esperto resolveu separar a “conexão” do “conteúdo” da internet, ou seja, o pobre do usuário precisava contratar a conexão de banda larga com uma empresa, e ainda precisava pagar uma outra firma que era a “provedora de conteúdo”, que nada mais fazia do que fornecer um endereço de e-mail para o consumidor.
Desde então este sistema já sofreu seguidas ações na justiça, pois configura claramente uma venda casada. Quem contrata a banda larga precisa obrigatoriamente contratar um outro serviço, em outra empresa.
Esta situação deu origem a inúmeras ações judiciais. Recentemente foi dado ganho de causa para os consumidores e as empresas de telefonia foram forçadas a liberar o acesso à banda larga mesmo para quem não quer contratar o famoso “provedor de conteúdo”. Mas foi uma vitória temporária, pois as empresas de telefonia conseguiram incluir na conta telefônica uma taxa de R$ 8,90 pelo famigerado “serviço” embutido nas conexões PPPoE via ADSL.
Como efeito colateral de tudo isto, muitas empresas começaram a usar este e-mail “de mentirinha” fornecido por este conluio entre governo, telefônicas e supostos “provedores”. Muita gente usa estes endereços como o principal endereço eletrônico de suas empresas, ficando ainda mais atrelados a este modelo espúrio e absurdo.
Assim, quando resolvem pular fora destas empresas telefônicas para um modelo de banda larga mais moderno, barato e confiável, precisam continuar pagando o dito “provedor de conteúdo” só para manter seu endereço de e-mail nos “Terras” e “UOLs” da vida.
(continua)
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